portfólio de escrita · roteiro · copy · crônica

nada nunca
foi tão bom.

Leonardo Castro escreve — de microcopy de produto a crônica de bar.
Eu não sou feito de constância. Sou feito de encontros.

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02

Textos

01

O pão.

O saco de papel precisa ficar entreaberto pra não estragar o pão quentinho. Ninguém ensinou, mas quem já foi à padaria na hora certa sabe.

02

A vitrine de doces

Meu pai me negava o doce e me dava a vitrine. Levei uns trinta anos pra entender qual dos dois era o presente.

03

Os torcedores

Bar vem de barra, que quer dizer obstáculo. O lugar mais acolhedor que eu conheço é, na origem, um muro.

04

Cheiro de feira

A feira se instala na calada da noite e deixa seu rastro até o fim do dia. E fica o cheiro, que é sempre o último a ir embora.

05

A gente corre de quem?

Existe um ridículo performático dentro de cada um. A pergunta que sobra do 12º andar é outra: de quem e pra que a gente corre?

06

As meninas superprodutivas

Fingir que se trabalha, flertar consigo mesmo e calcular o quanto você custa ocupando a mesa contra o quanto de fato consome.

07

Mesa ao lado

Ouvir história alheia é meu segundo passatempo preferido em qualquer bar. O primeiro? Inventar histórias para essas pessoas.

08

Por cima do ombro

No metrô lotado eu faço o que todo mundo faz e ninguém confessa: leio a tela do vizinho.

09

Já é...

Os olhos acordam antes do corpo, que protesta em silêncio, como quem já sabe que vai perder a discussão.

10

Contradição em movimento

É no outro que me descubro — e também onde me perco. Minha identidade não nasce isolada; ela se molda no atrito, na troca, no espelhamento.

11

Nem só de prédios e carros

Cidades são feitas de sonhos e de gente nos seus espaços. Um convite a desconstruir paradoxos e paradigmas.

12

Pego em flagrante

Será que é real? Aquilo que eu vejo, que tira meu sono e enche de desejo.

13

O Poder das Palavras

Aos peritos das letras, minha homenagem. Porque poesia, literatura e rap não, não é viagem.

14

Ser tão zinho

Ser tão. Ser zinho. Parecer. Ser. Um aquífero de lágrimas num ser tão...

15

Segredos

Sagrado é o silêncio. Secreto é o que penso. E nas incertezas que trago, prendo e solto, me desajeito.

16

Serpente

Seu corpo de repente parece serpente. Domina mentes e gentes.

03

Sobre

Sobre este espaço

nada nunca foi tão bom quer dizer o que você quiser entender. talvez nada nunca tenha sido tão bom até então. ou nada tenha sido tão bom quanto o agora. se nada e nunca não fossem tão bons, quem sabe fossem tudo e sempre.

Todos os textos que aparecem por aqui nascem assim: de contradições, pequenas epifanias de bar, certezas que duram pouco e de tudo aquilo que eu não entendo — mas ainda assim acho uma boa ideia pensar sobre.

Fora daqui, a mesma escrita vira ofício: roteiro, copywriting e UX writing. É a voz do rolêduca — app de curadoria de rolês em São Paulo — e do estúdio nada nunca, onde curadoria editorial vem com presença humana visível e nome em cima.

Este que vos escreve o faz a partir da curiosidade, das contradições e das pequenas inquietações do cotidiano. Advogado de formação e comunicador por vocação (e necessidade), usa a escrita como espaço para explorar ideias, comportamentos e as estranhezas da experiência humana — quase sempre com alguma ironia e mais perguntas do que respostas.

Se algo daqui te disser alguma coisa, já valeu.

— Leonardo Castro