As meninas superprodutivas
julho 2026 · Crônica
Minha irmã me ensinou um hábito que eu nunca quero abandonar: trabalhar em cafés.
Tem um misto ali de fingir que se trabalha mais do que realmente se está trabalhando, de flertar consigo mesmo (e com os outros, por que não?) e de manter um relógio na cabeça calculando o quanto eu custo ocupando essa mesa contra o quanto eu de fato consumo.
Açúcar, tempero e tudo que há de bom: estes foram os ingredientes escolhidos para criar as trabalhadoras perfeitas. Mas a minha irmã — professora Utônio deste experimento — acidentalmente acrescentou um ingrediente extra na mistura: o café coado superfaturado. E assim nasceram AS MENINAS SUPERPRODUTIVAS, que têm dedicado suas vidas a combater o ócio e as forças do home office.
O jogo é acreditar que o pão na chapa é o combustível pra você trabalhar no seu estado da arte pelas próximas quatro horas. Alguém interessante trabalhando na mesa ao lado? Semente maior da produtividade. Já visto a cara de interessância no call sobre DEMONSTRAÇÃO FINANCEIRA como se estivesse na reunião de roteiro do próximo filme do Kleber Mendonça Filho.
Meu preferido é o Botanikafe. Chego perto do almoço, vejo o turno dos funcionários virar e todas as mesas trocarem de ocupantes — é como ir a dois lugares diferentes sem mover a bundinha do sofá (sim, opte sempre pelos sofás).
Os verdadeiros cofficers (adeptos do coffice) têm seus powerbanks a tiracolo, mas você sempre pode mendigar uma tomada — não é o melhor para a sua performance, a não ser que você faça o tipo deboísta.
De tudo que se herda de irmã, esse foi o hábito que rendeu mais juros — pagos em pão de queijo chique e café coado superfaturado.